Como escrever aquilo que você não conhece
Sempre ouvimos que devemos escrever sobre aquilo que conhecemos. Acho que esse conselho está incompleto. Se todos os escritores o seguissem ao pé da letra, metade da literatura nunca teria existido. Ninguém conhecia uma baleia branca obcecada antes de Moby-Dick . Ninguém havia vivido o futuro imaginado por George Orwell. Ninguém visitou Macondo antes de Gabriel García Márquez criá-la. A literatura sempre atravessou territórios desconhecidos. Então por que esse conselho continua sendo repetido? O que realmente conhecemos? Talvez a frase nunca tenha querido dizer que devemos escrever apenas sobre fatos que vivemos. O que conhecemos, de verdade, são as emoções. Sabemos como é sentir medo, culpa, esperança, saudade, desejo ou arrependimento. Essas experiências podem existir dentro de uma nave espacial, de um castelo medieval ou de uma pequena cidade do interior. O cenário muda. A condição humana permanece. É isso que torna possível escrever sobre mundos que nunca habitamos. A pes...