O menor conto do mundo ainda precisa de um mundo
Há uma frase de Augusto Monterroso que parece pequena demais para ser um conto e grande demais para ser apenas uma frase: “Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí.” Em português: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.” Durante muito tempo, esse microrrelato foi tratado como “o menor conto do mundo”. Talvez hoje existam textos ainda menores, exercícios mais radicais, frases que tentam vencer essa corrida meio absurda pela miniatura absoluta. Mas o conto de Monterroso continua sendo um dos exemplos mais perfeitos de uma coisa que me interessa muito: a literatura não depende do tamanho do texto, mas do tamanho do mundo que o texto consegue abrir dentro da cabeça do leitor. O que existe ali? Alguém acorda. Um dinossauro permanece. Nada mais. Só que, justamente porque nada é explicado, tudo começa. Quem acordou? Uma criança? Um adulto? Um sobrevivente? Um país? Esse dinossauro estava no sonho ou no quarto? Ele é literal ou simbólico? Repre...