O entretenimento que mata
Existe uma fantasia secreta em todo entretenimento: a de que ele consiga, por alguns minutos, nos libertar de nós mesmos. É por isso que a gente abre o TikTok sem querer abrir o TikTok. É por isso que um episódio vira três, que uma pesquisa inocente no YouTube vira uma investigação de quarenta minutos sobre um assunto que não nos interessava até oito segundos atrás. É por isso que às vezes a gente não assiste a alguma coisa porque quer, mas porque não consegue mais não assistir. David Foster Wallace entendeu isso antes de quase todo mundo. Em Infinite Jest , há um filme tão prazeroso, tão perfeitamente feito para o desejo humano, que quem assiste perde a vontade de fazer qualquer outra coisa. Não é apenas um filme bom. Não é uma obra-prima. É uma armadilha sensorial. O livro se refere a ele como “the Entertainment” 1 — o entretenimento definitivo, ou melhor, o entretenimento tão perfeito que deixa de ser entretenimento e vira sequestro. A ideia parece absurda até a gente lembrar q...