Por que os personagens detestáveis costumam ser os mais interessantes
Na vida, tentamos evitar pessoas detestáveis. Na literatura, precisamos agradecer quando elas aparecem. Personagens excessivamente corretos costumam ser difíceis de sustentar por muitas páginas. Eles não interrompem conversas, não criam problemas desnecessários, não fazem julgamentos absurdos nem obrigam os outros personagens a reorganizar a própria vida ao redor deles. Em resumo: comportam-se bem demais para produzir um romance. Ignatius J. Reilly, protagonista de Uma confraria de tolos , de John Kennedy Toole, é um ótimo exemplo do contrário. Ele é arrogante, preguiçoso, ressentido, exagerado e profundamente convencido de que o mundo moderno está errado — e de que ele é uma das poucas pessoas capazes de perceber isso. Ignatius vive com a mãe, Irene, e boa parte da força cômica do livro nasce dessa convivência. Ele depende dela, critica suas decisões, ocupa sua casa e, ao mesmo tempo, parece considerar-se intelectualmente superior a todos ao redor. É difícil gostar dele. Também é d...