A roda de fiar da capa de la Margarita não está ali por acaso
Quando alguém olha pela primeira vez para a capa de la Margarita , normalmente repara na roda de fiar antes de qualquer outra coisa. É um objeto antigo, pouco comum nas capas de livros contemporâneos. Justamente por isso, ela chama atenção. Ela está ali de propósito. Não porque apareça na história como um objeto importante. Nem porque eu quisesse criar uma atmosfera de época. A roda de fiar ocupa o centro da capa porque ela sintetiza uma das ideias que mais me acompanharam enquanto escrevia o romance: algumas vidas são construídas fio por fio. Uma roda de fiar faz exatamente isso. Ela transforma fibras dispersas em um único fio contínuo. O movimento parece simples, quase repetitivo, mas dele nasce algo resistente o suficiente para ser tecido. Sempre achei bonita essa imagem. A memória também funciona assim. Ela raramente chega pronta. É feita de pequenos fragmentos que, com o tempo, aprendemos a ligar. Tempo que gira Existe outra razão para essa escolha. A roda não trabalha depre...